História

A religiosidade sempre esteve presente entre os imigrantes italianos. Em cada comunidade que formavam a primeira construção era uma capela ou igreja. No Vale dos Vinhedos não foi diferente. Em 1880, ergueu-se a primeira capela do Vale. Construída em pedra bruta e coberta por pequenos pedaços de tábua, foi mantida assim até 1928, quando foi substituída pela construção atual denominada Capela das Almas.

Já no início do século XX foi construída a Capela Nossa Senhora das Neves. Conta a história que sua construção aconteceu num período de intensa seca que durou cerca de dois anos. Segundo a história, os moradores decidiram utilizar o vinho estocado das safras anteriores na preparação da argamassa para a construção da Capela. Assim, no decorrer do tempo, outras capelas surgiram, iniciando um processo de colonização do vilarejo. O roteiro do Vale dos Vinhedos preserva até hoje inúmeros capitéis que traduzem a religiosidade do povo que colonizou a região.

Gerações passaram desde a chegada dos primeiros imigrantes e muitas das famílias que ali se instalaram continuam perpetuando o trabalho e a cultura vitivinícola implantada, buscando sempre a qualidade e o aprimoramento do produto elaborado. A região é atualmente dividida por comunidades, que trazem denominações das capelas construídas pelos primeiros colonizadores.

Visitar o Vale dos Vinhedos é penetrar no coração da história italiana e vivenciar, através dos monumentos e do ambiente sugestivo, um passado relativamente jovem.
Depois da criação da Aprovale, em 1995, o turismo no Vale dos Vinhedos cresceu vertiginosamente. A cada ano, novos investimentos são feitos para melhorar e ampliar a estrutura de atendimento ao visitante. Hoje, a região oferece, além de dezenas de vinícolas, hotéis, pousadas, restaurantes e queijarias, além de moda em couro e artesanato.


A evolução vitivinícola da região

O pioneiro da viticultura no Rio Grande do Sul foi o padre jesuíta Roque Gonzáles de Santa Cruz. Ele trouxe cepas de origem espanhola, por volta de 1620, quando fundou a Redução Cristã de San Nicolao, na margem esquerda do Rio Uruguai. Essas videiras desapareceram quando as missões jesuíticas foram destruídas pelos bandeirantes paulistas.

A segunda tentativa vitivinícola no RS foi feita na metade do século XVIII com a imigração açoriana no litoral gaúcho. Os açorianos trouxeram vinhas de origem portuguesa. A região litorânea, por ser baixa e úmida, não foi propícia ao desenvolvimento vitícola e, portanto, essas vinhas não vingaram.

O interesse pela viticultura foi novamente evidenciado com a chegada dos imigrantes alemães, entre os quais muitos eram apreciadores de vinho. Esses imigrantes se estabeleceram nos limites de São Leopoldo e São Sebastião do Caí. As videiras cultivadas eram de origem americana, sendo plantada principalmente a uva Isabel. O vinho produzido por eles era destinado ao consumo doméstico.

Quando os imigrantes italianos chegaram, em 1875, obtiveram as mudas dos alemães, pois as que eles haviam trazido na bagagem secaram durante a viagem, ou então, por serem variedades viníferas, não se adaptaram facilmente à nova terra e acabaram morrendo.

Já a variedade Isabel cresceu sadia e vigorosa, devido à fertilidade do solo, à umidade e ao sol quente do verão da Serra. O desenvolvimento da videira fez o imigrante se reencontrar com sua terra de origem e representou a fixação destes na nova pátria.

A partir de 1886, um grupo de produtores de uvas de Caxias do Sul começou a importar variedades viníferas europeias, iniciando um movimento no sentido de dotar a vitivinicultura da época de melhores castas.

No início do século XX, a produção de vinho cresceu até o ponto em que os mercados local e regional foram insuficientes para absorver toda a oferta, sendo preciso buscar novas saídas para o excedente. Assim, pela primeira vez, dois imigrantes italianos, Antônio Pieruccini e Abramo Eberle, se aventuraram em uma expedição para comercialização do vinho gaúcho em São Paulo. A partir daí, a colônia italiana pôde expandir a produção vitivinícola e passou a fornecer vinhos a outros estados. A vitivinicultura tomou outro grande impulso com a ligação ferroviária de Montenegro a Caxias do Sul, concluída em 1910, que permitiu o transporte de vinho de trem até Porto Alegre.

Em 1928, por obra da visão de Oswaldo Aranha, Secretário da Fazenda, era oficializado o Sindicato do Vinho. Este tinha por objetivo, além de congregar e defender os interesses dos vitivinicultores, intervir no setor como órgão regulador da oferta e da procura, mantendo, assim, a ordem dos preços e da qualidade. Em 1929, foi criada a Sociedade Vinícola Riograndense Ltda, órgão comercial do Sindicato do Vinho, que atuava no sentido de melhorar a imagem, a reputação e a cotação do vinho gaúcho no Rio de Janeiro e em São Paulo.

A reação dos colonos à Sociedade Vinícola Riograndense levou ao surgimento de cooperativas vitivinícolas em toda a região, entre elas a Forqueta, a Aurora e a Garibaldi. A formação de cooperativas levou a uma expansão da vitivinicultura, criando uma competição salutar e estimulando o crescimento e o aperfeiçoamento do setor. Em 1967, foi fundada a União Brasileira de Vitivinicultura – a Uvibra – que é a entidade de classe que reúne e congrega as empresas e entidades setoriais da vitivinicultura do país.

As décadas de 60 e 70 foram marcadas pela entrada de empresas internacionais como Chandon, Maison Forestier, Martini, National Distillers, Chateau Lacave, Welch Foods (Suvalan), entre outras, na produção e comercialização de vinhos e sucos. Foi um período de adaptação das variedades viníferas, de crescimento na comercialização do vinho fino, com investidas no mercado externo, principalmente com os sucos.

A partir dos anos 90, a tecnologia se disseminou entre o setor vitivinícola gaúcho, chegando até as pequenas vinícolas. Estes começaram a controlar as fermentações, a utilizar leveduras e enzimas e usar tanques de aço inoxidável. É uma década marcada também pelo fortalecimento de vinícolas familiares. Estas deixam de vender sua uva para as grandes vinícolas e passam a utilizá-la para fazer seu próprio vinho e comercializá-lo.