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24.02.15 “Memórias do Vale dos Vinhedos” é apresentado com a presença de protagonistas


Documentário filmado ao longo de 2014 valoriza através da memória oral, a história do distrito

Se existe um poder absoluto no cinema, é o de provocar intensas emoções. Memórias do Vale dos Vinhedos, como uma pequena amostra da sétima arte, não faz menos nesse quesito. Pela voz experiente e firme de Remy Valduga, o documentário emblemático que conta a história do distrito em pouco mais de 10 minutos cumpriu mais uma vez com o seu papel: emocionar um seleto grupo de jornalistas que pôde, em um café da manhã no hotel Villa Michelon, assistir à obra e conversar com seus protagonistas.

Em uma era de informação efêmera e veloz, a memória oral corre risco de ser pouco valorizada e até mesmo deixada de lado. Sentar para ouvir a história de antepassados é uma prática cada vez mais distante da realidade atual – seja por falta de interesse ou de tempo. Peças como o documentário Memórias do Vale dos Vinhedos vêm na contramão dessa tendência onde tudo parece pertencer a uma realidade líquida e fugaz.  Poder assistir a um relato tão emocionante da história do distrito e em seguida sentar à mesa com quatro dos tantos protagonistas dessa trajetória de fé, vinho e trabalho, é um privilégio para poucos e que foi oportunizado na manhã desta terça-feira, quando tímidos raios de sol invadiram o restaurante do Hotel Villa Michelon e contemplaram os presentes.

O tom das gravações do documentário se reproduziu na ocasião: após a exibição da filmagem, Décio Tasca, Moysés Michelon, Remy Valduga e Romilda Larentis protagonizaram uma agradável conversa entre amigos com a imprensa, repetindo a emoção que acabara de ser vista na tela. A história do distrito foi rememorada sob o ponto de vista dos entrevistados, que em muitas vezes iniciaram suas narrativas partindo das motivações que levaram os imigrantes italianos a saírem de seu país de origem. A chegada ao Brasil e a distribuição de lotes no Vale dos Vinhedos também foi revivida, culminando na construção da Capela Nossa Senhora das Neves, no início do século XX.  A memória ligada ao vinho também é trabalhada no documentário. A contribuição de Remy Valduga, um dos principais narradores da produção, abordou a importância da bebida para os primeiros imigrantes como um elo com sua terra de origem – e, porque não, uma maneira de amenizar a saudade do país natal. As dificuldades com o dialeto e a fomentação da religiosidade e do trabalho como forma de superar os obstáculos também foram rememoradas. 
 
Como parte importante de um registro histórico, o documentário foi apresentado para toda a comunidade do Vale dos Vinhedos e será exibido de forma itinerante. O material foi distribuído para escolas municipais, Patrimônio Histórico, entidades envolvidas com a aquisição de acervo histórico, Fundação Casa das Artes e  para a Biblioteca Pública Castro Alves. Desde o dia 06 de fevereiro, está disponível no link https://vimeo.com/118603179
 
A produção do documentário é realizada pela Triângulo da Produção Cultural, gravação e direção pela Alba Arte. A iniciativa da Associação dos Produtores de Vinhos Finos do Vale dos Vinhedos (Aprovale) tem o apoio da Secretaria de Cultura de Bento Gonçalves, por meio do Fundo de Municipal  de Cultura. A condução dos trabalhos foi guiada por Naiára Martini e Luciana Radaelli Barbieri, da Aprovale.

Fotos: Raquel Piegas/Conceitocom



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